30 março 2005

assim acabou mais um dia

Fim do dia. O homem tirou o cartão electrónico do bolso e meteu-o na estreita ranhura da fechadura. O microprocessador desta fez a leitura do chip e reconhecendo as informações neste contidas fez com que a fechadura se destrancasse, permitindo ao homem abrir a porta.

O homem guardou o cartão no bolso, entrou e a luz do aposento acendeu-se, accionada pelos automatismos escondidos, mostrando-lhe o quadro habitual: a enorme mesa de mármore negro no meio da sala; os sofás de pele verdadeira que lhe tinham custado uma fortuna, devido às leis de protecção das espécies animais, que o obrigaram a procurá-los no mercado negro onde tudo se comprava desde que se tivesse o dinheiro suficiente; frente a estes a pequena mesa de vidro sobre a qual o aguardava a habitual garrafa de jack daniel's e um copo já com um cubo de gelo de acordo com as instruções que dera à empregada, instruções para execução permanente; na parede em frente, fixo a esta, o enorme écran que o ligava a todo o lado, a toda a gente, através da galaxynet. Sentou-se no sofá, deitou a quantidade certa de bourbon no copo, recostou-se para trás e através do comando remoto ligou o écran, seleccionando um canal de notícias.

Quando acabou aquele seu momento de relaxe diário, dirigiu-se ao quarto onde a mulher estava já a dormir. Despiu-se e meteu-se na cama morna. Sentindo-se excitado, sentindo o seu membro crescer e endurecer ficando túrgido de desejo, talvez devido à lembrança do corpo fantástico, soberbo de contornos redondos, de nádegas fartas e seios imensos e generosos daquela jovem colaboradora nova que tinha entrado hoje ao serviço lá na agência voltou-se para a mulher que respirava suavemente ao seu lado. Pegou de novo no seu cartão electrónico e introduziu-o na ranhura oculta na nuca, na base do pescoço sob o cabelo lindamente dourado da sua jovem companheira a qual abriu imediatamente os olhos, fitou-o sorrindo voltou-se de costas e abriu as pernas dobrando-as pelos joelhos e ficando serenamente à espera que ele a penetrasse.

Assim acabou mais um dia.

2 comentários:

Isabel Magalhães disse...

Com cartão ou sem cartão... estamos todos cada vez mais sós... no meio da multidão.




bj.

José António disse...

Olá Isabel,

Exacto! É precisamente isso. Estamos cada vez mais isolados e sós, criando à nossa volta a ilusão do contrário, pelas mais diversas formas. A tecnologia é uma delas.

Urge voltarmos a ser humanos/pessoas...

bjs,